Todas as vezes que a machucavam, ela mudava. E isso ocorria com muita frequência. Seu coração estava quase totalmente destruído, e o amor que nele habitava, ia se desvaindo com o passar do tempo, até não restar quase nada.
Ela era uma mulher sem identidade fixa. Sua alma era tão velha e desgastada quanto às páginas de um livro antigo. E a sua personalidade original ia se apagando à medida em que ela se perdia em suas próprias mentiras. Ela era um personagem.
No momento, chamava-se Sofia, mas logo tornaria a mudar de nome, como sempre fazia. Ela sabia que lhe machucariam mais uma vez, e depois de novo e de novo e assim sucessivamente. Já tivera vários nomes. Uma mulher de várias faces...
Até que um dia, cansada de viver em constante mudança, fez uma promessa a si mesma; nunca mais mudaria. Ela então se deixou sofrer, até que não houvesse mais amor, nem um coração para quebrarem mais.
Agora ela era uma nova mulher, embora a alma ainda fosse velha. Agora ela podia ser quem quisesse. Ela podia ser ela mesma. Ela agora era eternamente Clarice.
“E assim como a primavera, eu me deixei cortar para vir mais forte.” Clarice Lispector.
Nenhum comentário:
Postar um comentário